1º de Dezembro: CML defende reposição do feriado
Defendendo a reposição do feriado no dia 1 de Dezembro, uma data que traduz "porventura como nenhuma outra, a identidade, a história, e a coesão nacionais", António Costa manifestou a esperança que "seja este o último dia que o comemoramos sem estarmos nessa condição".
Na intervenção, que assinalou a data que "celebra a independência nacional", o presidente da Câmara Municipal de Lisboa deixou uma palavra de agradecimento ao papel da Sociedade Histórica de Independência de Portugal e ao Movimento 1º de Dezembro, em particular ao "dinamismo, liderança e inspiração" de José Ribeiro e Castro, que "tem levantado o país na defesa desta data".
Com a cumplicidade de um dia soalheiro, começou cedo em Lisboa a comemoração do dia da Restauração da Independência. Depois do tradicional hastear das Bandeiras Nacional e da Restauração, na sede da Sociedade Histórica de Independência de Portugal, as comemorações continuaram na Praça dos Restauradores, junto ao obelisco que aí se ergueu, por subscrição pública, para assinalar o feito dos conjurados de 1640 e dos heróis da Guerra da Restauração.
Na tribuna, Rocha Vieira, em representação da Presidência da República, a vice presidente da Assembleia da República, Teresa Caeiro, Duarte Nuno de Bragança, o presidente da Sociedade Histórica de Independência de Portugal, Alarcão Troni, o presidente do Movimento 1º de Dezembro, Ribeiro e Castro, deputados, Helena Roseta, presidente da Assembleia Municipal, os vereadores Fernando Medina, Manuel Salgado, Graça Fonseca, Catarina Vaz Pinto, Duarte Cordeiro, Jorge Máximo, Carlos Castro, António Proa, João Gonçalves Pereira, os presidentes das Juntas de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, de Campo de Ourique, Pedro Cegonho, e do Lumiar, Pedro Delgado Alves, representantes das forças armadas e das forças de segurança.
Para António Costa, esta é "uma comemoração que junta monárquicos e republicanos, crentes e não crentes", unidos num sentimento que "não está dependente de conjunturas ou circunstâncias". Uma celebração que constitui "um fator de união e da confiança de que Portugal permanecerá, independentemente das circunstâncias deste ou daquele momento, como um estado uno, livre e soberano".
Ainda que "invocando o nome do Estado", o autarca entende que, sendo este dia "património de Portugal e de todos os portugueses", a ninguém é "moralmente permitido dispor dele com ligeireza".
Lisboa, realçou, tem "orgulho em acolher, em acolher sempre, as comemorações do 1º de Dezembro", certo de que "essa é a vontade dos lisboetas".
Ontem, em conjunto com o Movimento 1º de Dezembro, tiveram início as comemorações, com a Banda da Armada e um desfile de bandas municipais de todas as regiões do país. Já hoje, para "valorizar o legado comum que temos de deixar às novas gerações", disse António Costa, a Câmara decidiu incluir a participação dos alunos das escolas da cidade na "recriação de alguns dos episódios históricos mais marcantes da afirmação da independência nacional".
Em 2015 vamos restaurar a restauração
A Câmara de Lisboa "continua a mostrar-se à altura das responsabilidades patrióticas de que é guardiã e de que outros infelizmente desertaram", afirmou Ribeiro e Castro, presidente do Movimento 1º de Dezembro. Nesta "crise do feriado", "agradeço a capacidade organizativa do município pelo enriquecimento do programa oficial, com um amplo percurso histórico, de forte e rico portuguesismo".
Este é o primeiro dia em que "realmente sentimos a falta do feriado", disse Ribeiro e Castro. Há um ano, lembrou, "o atentado contra esta data foi descafeinado porque aconteceu num domingo. Mas este ano anos todos nos damos conta desta falta e deste absurdo".
"Não é verdade que tenha havido apenas uma suspensão dos feriados", afirmou, deixando algumas críticas à terminologia usada por uma "legislação à paulada" para a "decretada eliminação do feriado". A lei eliminou os feriados do Corpo de Deus, Todos os Santos, 5 de Outubro e 1 Dezembro - que serão objeto de reavaliação em 2017, depois de uma norma que corrige o diploma inicial, de uma forma, "algo envergonhada", considerou.
Estamos já, congratulou-se, "num quadro de uma eliminação provisória que pode ser melhor que uma suspensão definitiva". No dia que entende ser o "dia mais de todos, de entre todos os dias de Portugal", Ribeiro e Castro saudou o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa por ter já declarado o compromisso [de repor o feriado], deixando o apelo para uma "iniciativa legislativa dos cidadãos para restaurar o feriado", para o que conta com a "mobilização das câmaras municipais e juntas de freguesia junto dos munícipes e fregueses".
"Eliminar a eliminação, restaurar a restauração, é o caminho a seguir". Para Ribeiro e Castro, "é claro, absolutamente claro, que Portugal vai ganhar". Dê por onde der, 2015 vai ser o ano em que vamos restaurar a restauração. Está marcado, concluiu.
"Acedendo" à vontade manifestada por António Costa, de conferir às comemorações também "a dimensão de uma verdadeira aula histórica", o diretor da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, Alarcão Tróni, deu conta do Itinerário Dia da Independência, um percurso "para ser vivido nas ruas de Lisboa" por alunos das escolas da cidade.
Alarcão Tróni, manifestou a vontade de que este dia seja assinalado em todas as escolas com uma aula sobre o tema da Restauração da Independência. Para tal, revelou que escreveu ao ministro da Educação, esperando que a proposta "tenha tido algum eco".
Itinerário Dia da Independência
Após a deposição de flores junto ao obelisco na Praça dos Restauradores, por diversas instituições escolares e militares, bem como por toda a vereação da Câmara Municipal de Lisboa, e pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal, que encerraram as cerimónias neste local, a celebração continuou no Largo de São Domingos.
Aqui, com a participação do olisipógrafo José Sarmento de Matos, e do ator André Gago, que leu extratos da crónica de Fernão Lopes, onde é "historiado este momento fantástico que se passou aqui em 1383", deu-se início a um percurso, ritmado pelos Tocá Rufar, acompanhado pelo presidente da Câmara e vereadores, e alunos da escola Passos Manuel, que atravessou o Terreiro do Paço, e Cais do Sodré, até à Praça Luís de Camões, com a presença da banda do regimento de Sapadores Bombeiros.
O roteiro, revelou a vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, estará na cidade durante uma semana.
Desfile de Bandas Filarmónicas, dia 30 de novembro
Entretanto, as comemorações deste ano - organizadas, como habitualmente, pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Sociedade Histórica para a Independência de Portugal -, haviam já começado na véspera, dia 30 de novembro, quando uma trintena de bandas filarmónicas de várias regiões do país desfilaram pela Avenida da Liberdade até à Praça dos Restauradores.
Entre os aplausos de muitos populares que acorreram ao local, o desfile abriu com a atuação do grupo TocáRufar. Na tribuna na Praça dos Restauradores, o vereador Carlos Castro, da CML, e José Ribeiro e Castro, do Movimento 1º de dezembro, ombreavam com diversas individualidades convidadas, nomeadamente, da SHIP e da EGEAC, que produziu o desfile em co-produção com a RTP.
Após o desfile pela Avenida da Liberdade, a emblemática praça que homenageia os conjurados do 1º de Dezembro de 1640, heróis do movimento de restauração da independência, acolheu um espectáculo que juntou todos os agrupamentos filarmónicos, oriundos das várias regiões do país. Depois das saudações iniciais pelos TocáRufar e pelo Grupo de Bombos de Atei (Mondim de Basto), seguiu-se uma Homenagem ao Cante Alentejano, recentemente elevado pela UNESCO à condição de Património Imaterial da Humanidade, com a actuação do Grupo Cantares "os Cigarras"e do Grupo Coral dos Mineiros de Aljustrel.
No final, todas as bandas e grupos, ao ritmo marcado pela Banda da Armada, executaram conjuntamente o Hino da Maria da Fonte, o Hino da Restauração e o Hino Nacional.