Novo Terminal de Cruzeiros
Decorreu, no dia 17 de julho, em pleno cais de Santa Apolónia - Jardim do Tabaco, a cerimónia de assinatura do Contrato de Concessão de Serviço Público da Atividade de Cruzeiros no Terminal de Cruzeiros de Lisboa, celebrado entre a APL - Administração do Porto de Lisboa e o consórcio vencedor do concurso internacional criado para o efeito, constituído pela Global Liman Isletmeleri (Turquia), pelo Grupo Sousa Investimentos SGPS Ldª (Portugal), pela Royal Caribbean Cruises Ltd. (EUA) e pela Creuers del Port de Barcelona S.A. (Espanha).
Nos termos deste contrato, o consórcio obtém a referida concessão por um período de 35 anos devendo, em contrapartida, pagar as taxas acordadas e construir um novo Terminal de Cruzeiros em Santa Apolónia, segundo o projeto do arquiteto João Luís Carrilho da Graça vencedor de um concurso público internacional, bem como proceder à requalificação do espaço público da zona envolvente, envolvendo um valor próximo dos 23 milhões de euros. A concessão prevê um crescimento sustentado do tráfego anual de passageiros (atualmente no número recorde de 550 000), para quase fazer duplicar o seu número em dez anos e atingir mais de 1,5 milhões de passageiros no final da concessão.
O ato de assinatura do contrato de concessão - que foi assinado pela presidente e vogal da APL, respetivamente, Marina Ferreira e Andreia Ventura, e por dois representantes do consórcio - foi testemunhado pelo ministro da Economia, António Pires de Lima, pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, pelos secretários de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Silva Monteiro, e do Turismo, Adolfo mesquita Nunes, pela embaixadora da Turquia em Portugal, Ebru Bartçu Gokdenizler, por representante do chefe de Estado Maior da Armada, pelo presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto Pereira, e pelos vereadores lisboetas Manuel Salgado, Fernando Seara e João Gonçalves Pereira.
Usando da palavra, a presidente da APL, Marina Ferreira, sublinhou ser este "o dia em que a APl deixa de gerir diretamente qualquer atividade portuária" (os diferentes serviços e atividades têm vindo a ser concessionados a agentes externos). Como a partir da construção do novo terminal, a "bem sucedida atividade de cruzeiros" contará com aquele que será a terceira gare marítima de Lisboa (depois das de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos), a presidente da APL justificou a escolha do projeto de Carrilho da Graça pela "responsabilidade das boas práticas arquitetónicas" que caracterizam as duas gares existentes, classificadas como património nacional.
Para Marina Ferreira, "fazer porto e fazer cidade só é possível em sintonia com a Câmara Municipal de Lisboa", agradecendo ao presidente António Costa o facto de a autarquia "saber ser porto e saber ser cidade". Agora, concluiu a presidente da APL, trata-se de "consolidar o crescente papel de Lisboa no mercado de cruzeiros e na economia marítima".
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, constatou ser este "um dia feliz para a cidade de Lisboa", num período em que "o turismo tem uma importância crescente na economia da cidade", para o que "é fundamental que existam infraestruturas de qualidade, quer portuárias, quer aeroportuárias". Sublinhando que "o porto faz parte integrante da história da cidade", "espaço multiusos" que comporta diverso tipo de atividades (das estritamente portuárias à industrial, ao turismo, ao lazer, à cultura e ao desporto), o autarca referiu que "nos últimos anos temos tido uma relação de excelência com o porto, depois de décadas de conflito".
António Costa lembrou que aqui surgirá não apenas um novo Terminal de Cruzeiros, mas também uma "peça arquitetónica icónica, do mesmo arquiteto que fará a reabilitação do campo das cebolas e da Doca da Marinha", pelo que, após esta reabilitação, "toda a frente ribeirinha de Lisboa, de Santa Apolónia a Belém estará requalificada, permitindo uma nova relação entre a cidade e o rio". O edil lisboeta aproveitou a oportunidade para anunciar que, à semelhança do percurso assistido por meios mecânicos (elevadores) entre a Baixa e o Castelo, irá surgir um outro semelhante, desta zona até ao castelo, através de Alfama.
A cerimónia terminou com a intervenção do ministro da Economia, António Pires de Lima, que apelidou o momento de "início de uma era de relançamento da atividade de cruzeiros" em Lisboa. Depois de detalhar pormenores dos termos do contrato de concessão agora assinado, o governante realçou a "excelência da arquitetura e da engenharia portuguesas" no projeto do novo terminal e na reabilitação "desta área nobre de Lisboa". Para Pires de Lima, este ato demonstra que é possível "a conciliação de interesses e usos do porto", dando espaço ao turismo, que "é fundamental no quadro económico atual". O ministro concluiu manifestando o seu desejo de que o novo Terminal de Cruzeiros contribua para que Lisboa não seja apenas um ponto de escala, mas também "porto de partida e chegada de cruzeiros".