Cultura

A cidade voltou a dar voz ao Diário de Lisboa

“Diário de Lisboa, O Legado”, realizado por Frank Saalfeld, apresentado hoje no Cinema Ideal, recupera a história de um dos mais emblemáticos jornais portugueses do século XX, um título que mantém uma ligação profunda à cidade de Lisboa.


O documentário “Diário de Lisboa, O Legado”, realizado por Frank Saalfeld, revisita a história de um dos mais marcantes títulos da imprensa portuguesa e recupera a memória de um jornal que deixou uma marca profunda na cidade e no país.

O projeto resulta de uma parceria entre o programa “Memórias de Lisboa”, uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, através da Hemeroteca Municipal, no âmbito de um trabalho de recolha de memórias em torno do Diário de Lisboa, publicação que marcou várias décadas do século XX e permanece uma referência incontornável da imprensa escrita nacional.

Fundado em 1921, pelo banqueiro António Vieira Pinto, o Diário de Lisboa destacou-se pela vitalidade editorial, pelo relevante núcleo de jornalistas, intelectuais e colaboradores que reuniu e pela relação de proximidade que manteve com os leitores ao longo de várias décadas. A publicação cessou atividade em 1990, com o encerramento da redação no Bairro Alto.

“Foi uma autêntica escola de jornalismo e de formação de jornalistas”, sublinhou o vereador da Cultura, Diogo Moura, destacando a importância do Diário de Lisboa “na própria história do país e na cultura portuguesa”. Acrescentou ainda que este título “significou e significa liberdade e cidadania”.

O documentário reúne um conjunto de testemunhos de profissionais ligados ao jornal e de leitores que mantiveram com este vespertino uma relação próxima e afetiva. Entre os entrevistados encontram-se Daniel Oliveira, Diana Andringa, Eugénio Alves, Cláudia Lobo, Fernando Dacosta, Catarina Assis Pacheco, Cesário Borga, Fernanda Mestrinho, Maria João Martins, José Carlos Vasconcelos, Rosário Ruella Ramos, familiar dos antigos proprietários, e ainda o coordenador da Hemeroteca Municipal, Álvaro Matos.

“Era um jornal que respirava a cidade”, afirmou o realizador, Frank Saalfeld, para quem o espólio do Diário de Lisboa permite perceber “como é que a cidade foi evoluindo ao longo dos anos”.

Conduzidas pelas equipas do Programa Memórias de Lisboa e da Hemeroteca Municipal de Lisboa, as entrevistas permitiram reunir os testemunhos de 22 pessoas, entre jornalistas, familiares dos antigos proprietários, leitores habituais e outras pessoas com ligação direta ao jornal. Este projeto conjunto surgiu no contexto das comemorações do 50.º aniversário da Hemeroteca Municipal de Lisboa. Para a Hemeroteca, o Diário de Lisboa constituiu uma escolha natural para este trabalho, desde logo pela relevância do seu espólio, hoje em grande medida à guarda deste equipamento municipal, e pela forte ligação da história do jornal à cidade de Lisboa.

O programa “Memórias de Lisboa” tem vindo a recolher testemunhos em vários bairros da cidade, recorrendo à metodologia da história oral. Neste caso, o Bairro Alto e a sua relação histórica com os jornais e com o universo da imprensa afirmaram-se como parte essencial da memória de Lisboa e justificaram este olhar sobre o Diário de Lisboa na primeira pessoa.

O resultado desse trabalho é um documentário que traduz o impacto do Diário de Lisboa na imprensa escrita e na sociedade portuguesa, desde a sua primeira edição, em 1921, até à última, em 1990.