Lisboa lamenta a morte de Mário Zambujal
"Senti-me sempre muito bem nesta cidade", disse, em 2016, ao receber a Medalha Municipal de Mérito Cultural de Lisboa. A distinção reconheceu a forma como Mário Zambujal, enquanto escritor e jornalista, retratou a cidade.
“Partiu Mário Zambujal e, com ele, uma dessas raras ironias luminosas que sabiam rir de Portugal sem nunca o trair. Ficamos mais pobres em graça e elegância, daquelas que não fazem ruído, mas deixam eco, como a palavra bem dita. Hoje despedimo-nos de um contador de histórias; amanhã voltaremos a encontrá-lo onde verdadeiramente vivem os escritores: na memória viva dos leitores", afirmou hoje Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
Mário Zambujal nasceu em 1936, em Moura, Alentejo. Em 1961, já em Lisboa, integrou o jornal A Bola, seguindo-se passagens por O Jornal, Diário de Lisboa, Record, O Século, o Mundo Desportivo. Foi, ainda, chefe de redação do Diário de Notícias, e o primeiro diretor do semanário Sete.
Com uma carreira literária de 45 anos, e 20 obras publicadas, Mário Zambujal estreou-se na literatura com Crónica dos Bons Malandros (1980), que foi adaptado ao cinema por Fernando Lopes. Produziu textos para televisão e teatro e publicou, entre outros, “Histórias do fim da rua”, “À noite logo se vê”, “Primeiro as senhoras” e “Uma noite não são dois dias”. Em 2025, regressou ao policial, com “O Último a sair”.
Em 2025, recebeu o Prémio Gazeta de Mérito, atribuído pelo Clube de Jornalistas, que presidiu durante 14 anos.