Mérito Cultural de Sérgio Godinho reconhecido em Lisboa
“Lisboa foi um amor adquirido”, afirmou hoje Sérgio Godinho, na cerimónia de entrega da medalha, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. “Posso dizer que realmente já me considero lisboeta”. Esta distinção de mérito cultural, reconheceu, “é-me particularmente grata, porque eu acho que a cultura perpassa tudo o que nós fazemos”.
Sérgio Godinho, “é um dos maiores da nossa cultura, de toda a nossa cultura”, considerou Carlos Moedas. O “seu exemplo, o que nos diz a sua vida, aquilo que o fez nunca ter medo de arriscar. Foi, desde o seu início, uma vida marcada por algo muito nobre no ser humano, a busca pela liberdade”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
Antes do 25 de Abril de 1974, num “país a preto e branco, cuja mentalidade era de não arriscar, de não inovar, de não provocar ondas, o Sérgio Godinho nunca foi assim, foi alguém que não teve medo de ir em busca do mundo. Nessa busca encontrou a liberdade (…) e acabaria por voltar precisamente para celebrar e ser parte da construção dessa liberdade no seu país".
Sérgio de Barros Godinho nasceu a 31 de agosto de 1945, no Porto. Partiu de Portugal com 20 anos, “recusando fazer a guerra colonial. Saiu do país porque queria mais mundo. Regressou cantor, compositor, intérprete, ator, autor de bandas sonoras, realizador, argumentista”, sublinha a proposta de atribuição da medalha, aprovada em 2025 na Câmara Municipal de Lisboa.
Viveu em Genebra, Paris, Amesterdão, Brasil, e Vancouver. O seu primeiro disco, "Os Sobreviventes", foi gravado em França, em 1971, com músicos franceses e a colaboração de alguns portugueses então exilados em Paris, como Luís Cília e José Mário Branco. Gravou, também no exílio, o álbum "Pré-Histórias". Estes dois discos, premiados pela Casa da Imprensa, foram sucessivamente proibidos e autorizados pela censura de então.
Regressou a Portugal após a revolução do 25 de Abril de 1974, e teve um papel fundamental na música popular portuguesa e música de autor, trabalhando com José Afonso, Fausto Bordalo Dias, entre outros. Foi autor de algumas das canções “mais unanimemente aclamadas da música portuguesa e de uma beleza extraordinária”: "Com Um Brilhozinho Nos Olhos”, "O Primeiro Dia", "É Terça-Feira", Liberdade” ou “A noite passada”, entre outras.
Em 2012, foi-lhe atribuída pela CML a Medalha Municipal de Mérito Ouro. À cidade onde reside, onde partilha com o público a sua arte, entregou a canção “Lisboa que amanhece”.