Cultura

Lisboa lamenta a morte de Glória de Matos

A atriz Glória de Matos morreu esta quinta-feira, 11 de dezembro, aos 89 anos. Lisboa apresenta condolências à família e aos amigos. A 18 de dezembro, a Câmara Municipal de Lisboa aprovou por unanimidade um voto de pesar.


Maria da Glória Martins de Matos Mendes nasceu a 30 de maio de 1936, em Lisboa. Morreu a 11 de dezembro de 2025, em Lisboa, aos 89 anos.

Atriz, professora, pedagoga, estudou no antigo Conservatório Nacional, em Lisboa e na Bristol Old Vic Theatre School, no Reino Unido.

A partir de 1954, com 18 anos, participou na atividade do Centro Nacional de Cultura, sobretudo com Fernando Amado, e também Almada Negreiros, no Grupo Fernando Pessoa, que viria a estar na origem da Casa da Comédia.

Apesar das raízes do seu percurso artístico se localizarem um pouco antes, foi naquele ano que se estreou enquanto atriz no espetáculo “Os 25 Anos da Morte de Fernando Pessoa”, dirigido por Fernando Amado e com cenografia de Almada Negreiros.

Esteve associada aos primórdios do Grupo de Teatro da Casa da Comédia, com Fernando Amado, que o fundou em 1946, tendo nele representado e integrado a direção. O grupo passou a ter sede própria a partir de 1962, mas só começou a funcionar a partir de julho de 1963, período durante o qual decorreram as obras que transformaram uma antiga carvoaria numa sala de teatro, na Rua S. Francisco de Borja, nº 24, às Janelas Verdes, em Lisboa.

Nesse ano de 1963, bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, vai para o Reino Unido onde frequenta a Bristol Old Vic School e também a Universidade de Bristol. É após o seu regresso a Portugal, em 1965, que se estreia em cinema, em Operação Dinamite (1967).

No cinema salienta-se a colaboração com o realizador Manoel de Oliveira, em Benilde ou a Virgem Mãe (1975), Francisca (1981), Os Canibais (1988), Vale Abraão (1993), O Quinto Império (2004), Espelho Mágico (2005) e Singularidades de uma Rapariga Loura (2009).

Em 1968 chega ao Teatro Nacional D. Maria II, onde fez parte da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro entre 1967 e 1970, participando em várias peças das quais se destacam “Tchau”, “O camarada Miússov”, “As três perfeitas casadas”, “Barcas: Inferno, Purgatório e Glória”, “A Mais Velha Profissão”, “O Marinheiro'” ou “Hamlet” ou ainda “Pavor do Desconhecido”.

Do seu percurso artístico, com mais de 60 décadas, fez parte a televisão, nomeadamente ao participar nas primeiras telenovelas de produção nacional, a partir de Vila Faia, em 1982.

Foi também professora na Escola de Teatro do antigo Conservatório Nacional (1971 e 1975), posteriormente na Escola Superior de Teatro e Cinema (1980 a 1999), bem como na Universidade Aberta, contribuindo para a formação de várias gerações.

Desempenhou funções como conselheira de programação e orientadora do Centro de Formação da RTP. Ocupou ainda os cargos de membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social, de 1991 a 1994, de assessora da Secretaria de Estado da Cultura, de 1990 a 1992, e do Instituto de Artes Cénicas.

Da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro recebeu o prémio de melhor atriz em 1972, pela interpretação em “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?” (1971), de Edward Albee. Recebeu, ainda, pela sua interpretação da personagem Martha na estreia portuguesa desta peça de teatro, numa produção de Vasco Morgado, os Prémios da Imprensa para Melhor Atriz (1971) e Lucinda Simões (1972). Foi agraciada com a Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura (2006).

A sua última atuação nos palcos ocorreu em 2017, na peça “Odeio-te, Meu Amor”, no Teatro Nacional D. Maria II.

A Câmara Municipal de Lisboa manifesta profundo pesar pelo falecimento de Glória de Matos, e expressa à família e amigos as mais sentidas condolências.