Novo centro em Lisboa aumenta capacidade de rastreio do cancro da mama
“Neste centro, vão ser lidas cerca de 131 mil mamografias, com o objetivo de aumentar em mais de 10 mil as leituras anuais”, afirmou o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), Francisco Cavaleiro Ferreira. A unidade fixa, adiantou, irá permitirá rastrear diariamente cerca de 100 pessoas.
Na inauguração do centro, na Av. da República, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, destacou o compromisso da autarquia no reforço de serviços de saúde à população: “Temos que conhecer as pessoas no dia-a-dia e os seus problemas, ir ao bairro e garantir que as pessoas têm acesso a consultas e cuidados essenciais.”
Enaltecendo o papel da Europa – empenhada no missão de tornar o cancro numa doença crónica, para que ninguém morra de cancro – Carlos Moedas assumiu o desígnio de “lutar pela ciência fundamental, pelo papel da ciência, pelo investimento na ciência”. Lisboa, lembrou, tem avançado com a criação de clínicas de proximidade, a par de parcerias com grandes instituições na área da investigação na saúde: “Esta parte da ciência é absolutamente importante”, vincou.
Mas, acautelou, “com a inteligência artificial, podemos mudar tudo no mundo, mas aquilo que se vai tornar mais raro é o toque humano. Eu quero que o meu médico tenha a inteligência artificial, mas eu não quero que o meu médico seja a inteligência artificial. O médico, o enfermeiro, o auxiliar, a pessoa que está aqui, a primeira pessoa que vai estar ali à porta, quando alguém entra, essa pessoa tem uma importância absolutamente única para o futuro".
E, acrescentou, “a LPCC não só salvou tantas vidas, como deu esperança a tantas vidas, como transformou o dia-a-dia dessas pessoas”.
Rui Oliveira Soares, responsável do Núcleo Regional do Sul, sublinhou a importância de oferecer condições dignas a quem aguarda resultados: “As pessoas que estão à espera de um resultado, que pode ser difícil de aceitar, têm que estar num sítio com o mínimo de decência.”
O edifício municipal foi cedido à LPCC por um período de 30 anos, com um renda mensal simbólica, permitindo instalar a unidade fixa de rastreio, o centro de leitura e diagnóstico do cancro da mama e o Grupo de Apoio de Lisboa. A cedência enquadra-se no Regulamento de Património Imobiliário do Município e atende a projetos de relevante interesse público.