Cultura

Projeto Stolpersteine homenageia vítimas do Holocausto

Lisboa associa-se ao Projeto Stolpersteine, uma iniciativa do Centro Cultural Judaico - Judiaria de Lisboa, que honra e perpetua a memória das vítimas do regime nazi. Portugal era, até agora, o único país do oeste e centro europeu que não fazia parte do projeto.


Com a instalação de dois pequenos monumentos, na calçada portuguesa, à entrada da Estação do Rossio e na Travessa do Noronha, a cidade de Lisboa materializa a homenagem às vítimas do Holocausto, e “reafirma o compromisso firme de combate ao antissemitismo, ao racismo, à xenofobia e a outras formas de intolerância”, afirmou hoje Diogo Moura, vereador da Cultura.

Na cerimónia, junto à Estação do Rossio, com a presença de Oren Rozenblat, Embaixador de Israel em Portugal, Luciano Waldman, fundador do Centro Cultural Judaico-Rua da Judiaria, e membros da Comunidade Judaica de Lisboa, Diogo Moura enalteceu a relevância da iniciativa para a “valorização da memória histórica”, num país em que a maioria das vítimas do Holocausto não eram judias.

Cookie, filha de uma sobrevivente do holocausto, marcou presença no local onde a sua mãe desembarcou, na década de 1940, para fugir aos horrores da guerra.

Stolpersteine, em alemão, significa “stolpern = tropeçar”, “stein = pedra”, e é um projeto do artista plástico alemão, Gunter Demnig. As pedras são colocadas em locais históricos como portos, praças, guetos e outros.

O objetivo do projeto é "criar pequenos monumentos em memória das vítimas da segunda guerra mundial que sobreviveram, que morreram durante as deportações, nos campos de concentração ou por escolherem o suicídio para escapar do extermínio”.

Estação do Rossio: Foi uma das portas de entrada para os refugiados da Segunda Guerra Mundial, "utilizada principalmente para o transporte de crianças provenientes da França. Entre os anos de 1940-1944, a instituição JDC Joint dos Estados Unidos da América, a comunidade judaica de Lisboa e outras instituições portuguesas, organizaram um plano para retirar, transportar, alojar e encaminhar as crianças para outros países.

Travessa do Noronha: A Cozinha Económica Israelita ficava na Travessa do Noronha, nº 17. O local serviu para refúgio, alimentação e apoio médico aos refugiados, sendo um "símbolo de resiliência e de alento às tragédias da Segunda Guerra Mundial".