Habitação: Lisboa aposta em cooperação público-privada
No encerramento da conferência, Carlos Moedas afirmou que a crise da habitação é estrutural e não deve ser tratada de forma ideológica. “O problema é grande demais para continuar a ser uma discussão política ou partidária".
"Precisamos de soluções concretas”, disse, para fazer face à escassez de oferta pública e privada e ao forte aumento das rendas. Na última década, os valores subiram 64% em Lisboa, enquanto os rendimentos cresceram 22%. “Este desfasamento criou um problema enorme na nossa sociedade”, afirmou.
Carlos Moedas destacou, ainda, projetos estruturantes em zonas como Vale de Santo António e Vale de Chelas e defendeu modelos de parceria para construção de habitação, incluindo arrendamento acessível. "A solução para a habitação tem de ser metropolitana e não pode depender apenas do setor público".
Na sua intervenção, o autarca de Lisboa sublinhou também a importância do apoio municipal à renda, que comparticipa o valor pago pelas famílias quando este ultrapassa 30% do rendimento: “Qualquer lisboeta que pague mais de 30% do seu rendimento em renda pode candidatar-se, e a câmara paga a diferença”, assegurou.
O regresso dos jovens aos bairros, é outra aposta do município, sublinhou, com o programa De Volta ao Bairro. Estão já identificadas 700 casas, afirmou, das quais, "102 estão a ser reabilitadas para estarem disponíveis ainda este ano. Queremos ajudar os nossos jovens a cumprir o sonho de viver em Lisboa”, em zonas como Alfama, Baixa, Belém, Graça, Estrela.
“Precisamos de um PRR Habitação para os próximos anos”, concluiu Carlos Moedas, apelando à criação de um novo programa europeu de financiamento dedicado à habitação.