Moita Macedo eternizado em Lisboa com nome de rua
José Albano Pontes Santos Moita Morais de Macedo nasceu em Benfica do Ribatejo e escolheu Lisboa como centro da sua atividade criativa.
Entre 1964 e 1983, manteve ateliê na Rua da Venezuela, em Benfica, e trabalhou na Rua Braamcamp, no centro da cidade, espaços onde encontrou o equilíbrio entre a energia urbana e a serenidade do recolhimento, uma dicotomia refletida em toda a sua obra.
“Pintei versos, escrevi quadros”, citou Carlos Moedas, lembrando o autodidata, sem formação superior. "Pintura e poesia apareciam em Moita Macedo como emanações da mesma fonte, da sua intuição”, afirmou o presidente da Câmara de Lisboa na cerimónia de inauguração.
“Para os filhos, é certamente algo especial lembrar o tempo em que a casa estava cheia de desenhos, folhas e telas”, salientou o autarca, dirigindo-se aos familiares do artista que se associaram a esta homenagem.
Autodidata, guiando-se pelo instinto e gosto pessoal, Moita Macedo iniciou o seu percurso profissional na Siderurgia Nacional, experiência que marcou a sua linguagem visual. Na Cooperativa Gravura, onde conheceu Almada Negreiros, desenvolveu técnicas inovadoras, como a gravura riscada sobre vidro, explorando luz, contraste e transparência de forma única.
O seu percurso incluiu exposições em espaços como a Galeria Futurismo e a Galeria Opinião, refletindo sobre temas como o fim dos tempos, a devastação e a esperança, em obras como “Hiroxima” e “Apocalipse”. Em 1981, publicou, em coautoria, o livro “Cantares de Amigo”, revelando o poeta que habitava o artista.
Moita Macedo faleceu prematuramente em Lisboa, a 18 de maio de 1983, mas o seu legado permanece vivo. A Câmara Municipal de Lisboa já lhe prestara homenagem, em dezembro de 2002, com o lançamento do livro “Poemas” e uma exposição das suas pinturas.
Reconhecendo Moita Macedo como uma referência de destaque no panorama da pintura portuguesa da segunda metade do século XX e considerando Lisboa como uma incontestável fonte de inspiração para a sua obra, a autarquia aprovou a atribuição do topónimo ao novo arruamento.
“Foi um artista livre, movido pela intuição, pela aventura e por um idealismo profundo que marcou toda a sua obra. Hoje, o seu nome fica ligado à cidade para sempre”, reiterou Carlos Moedas.