Casas Regionais
Casa do Minho

É o orgulho de se ser minhoto e a alegria contagiante que reina na Casa do Minho em Lisboa. Tudo a meias com uma gastronomia riquíssima, um verde tinto e um Vira a acompanhar.
“O minhoto e a minhota têm muita folia no corpo. Se há comes e bebes, salta uma concertina e saltamos nós para o terreiro, com a malga de vinho, um bocado de broa com bacalhau frito, a falar sobre o Minho e sobre Lisboa."
Paulo Duque, 59 anos, natural de Covas, Vila Nova de Cerveira, presidente da direção da Casa do Minho, confessa que, muitas vezes, nos almoços tradicionais que a casa organiza chegam a aparecer mais lisboetas do que os minhotos.
Fundada em 1923 por sete minhotos naturais de Monção, Arcos de Valdevez, Póvoa do Lanhoso e Braga. Queriam trazer para a cidade “um pouco da província minhota”, preservar e divulgar a cultura da região e, acima de tudo, ajudar os conterrâneos que chegavam a Lisboa, muitos sem emprego, roupa ou comida.
“Os minhotos, sobretudo os da Raia, vinham muito para Lisboa no final do século XIX, em busca de uma vida melhor”, explica Paulo Duque. O que já não acontecia com os minhotos do Vale do Ave, Barcelos ou Braga, região industrial, sem dificuldade de emprego. Em Lisboa dedicavam-se quase em exclusivo à área da restauração: “Na restauração em Lisboa é quase só minhotos e os seus descendentes”, afirma Duque.
“Ainda hoje, em termos de restauração, o Minho é uma embaixada na cidade de Lisboa”,
diz, apontando para a uma mesa onde não falta a broa de milho, o bacalhau, os rojões, os enchidos, o verde tinto. “Fazemos seis ou sete almoços temáticos durante o ano. A Lampreia é o ex-líbris e começa agora. No mês de maio temos o Pica-no-Chão. Compramos e encomendamos os galos lá em cima no Minho e são cozinhados aqui, tudo como era antigamente.”
Mas é a lampreia que faz Paulo Duque regozijar: “A lampreia é um prato diferente de todos os outros. Nós fazemos aqui a Lampreia, que vem de Vila Nova de Cerveira, tal como a água vem de lá, o vinho também vem da região do Minho, os enchidos vêm da região do Minho (…) porque tentamos ser genuínos e manter a nossa fidelidade com a província. Mas a lampreia… é uma orgia gastronómica”. Então e onde se come uma boa lampreia em Lisboa? “Come-se em muitos lados, como na Casa do Minho”, sublinha satisfeito.”
Pelo Minho e pelos Minhotos
Nem só de gastronomia vive a Casa do Minho em Lisboa, rica em tradições populares, que os lisboetas tanto gostam de ver. As atuações do Rancho Folclórico são uma delas:
“ É o rancho mais antigo da cidade de Lisboa. Nasceu 20 anos mais tarde que a casa, em 1943. Por ano temos perto de 40 atuações”.
O rancho, com 65 elementos, representa toda a região, com trajes de Guimarães a Viana, de Ponte Lima a Barcelos. Tem lavadeiras do Baixo e Alto Minho, Mordomas ou simples trajes de feirar, com as suas chinelas coloridas ou as suas chancas e socos populares.
A celebração da Pascoela, no domingo a seguir ao Domingo de Páscoa, é motivo para encher a Casa do Minho com sócios, amigos e “fregueses do Lumiar”. Também a romaria minhota em honra da Nossa Senhora do Minho e Santiago, que a Casa do Minho recria, é ponto alto da divulgação das tradições minhotas em Lisboa, com a realização de uma missa campal e procissão nas ruas de Belém. Já na Passagem de Ano, a Casa do Minho celebra o novo ano na sua sede, para sócios e amigos, e depois da meia-noite sai às ruas do bairro, com um grupo de bombos, para animação e gáudio de todos. No final, diz Paulo Duque, “há sempre um verde de honra para as pessoas que nos acompanham”.
A Casa do Minho em Lisboa é uma das mais acarinhadas na cidade. Até porque serão quase 500 mil os minhotos a residir em Lisboa. Foi agraciada por duas vezes com a Medalha Grau Ouro pela Junta do Lumiar e com a Medalha Grau Ouro pela Federação Portuguesa das Coletividades.
Está localizada na Rua Prof. Orlando Ribeiro, 3D, freguesia do Lumiar.