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Marcha da Graça

Seja o que o Santo quiser

Figurinista: Bruno Baleiras

"Seja o que o Santo quiser" é o mote que inspira a Marcha da Graça em 2026 e que dá forma aos figurinos pensados por Bruno Baleiras. Uma expressão que nasceu na madrugada do dia 13 de junho de 2025, logo após o anúncio dos resultados, num momento de desânimo que acabou por se transformar em identidade criativa.

“Estava tudo cabisbaixo por causa dos resultados e saiu-me uma frase. Em vez de dizer ‘seja o que Deus quiser’, disse ‘seja o que o Santo quiser’”, recorda Bruno Baleiras, figurinista da Marcha da Graça pelo segundo ano consecutivo. A partir desse instante, nasceu o tema que orienta todo o conceito da marcha.

Em 2026, a Graça presta homenagem a Santo António, à sua figura, à sua simbologia e à própria noite lisboeta que o celebra. A identidade visual da marcha nasce diretamente do imaginário dos Santos Populares, com referências aos manjericos, às quadras, aos arraiais e ao dia 13 de junho. “Os figurinos são foliões, são alguém que vai viver a noite de Santo António”, explica Bruno Baleiras, responsável pelo desenho e criação dos figurinos concretizados pela costureira Jana Ferreira.

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No figurino masculino, a inspiração parte das bandeiras dos arraiais lisboetas, reinterpretadas em formato triangular e integradas na construção do fato. Já o figurino feminino evoca o manjerico, símbolo maior das festas de Santo António, através da cor e do formato das saias. 

O vermelho, o verde, o preto e o dourado assumem-se como paleta central da marcha, num equilíbrio entre tradição e brilho festivo. Nos elementos cénicos, os arcos são pensados como uma inversão simbólica do arraial.

“A ideia do arco é como se fosse um arraial invertido, com um cordão dourado que faz lembrar um fio de ouro que abraça o seu conjunto”, revela o figurinista.

Para além da componente estética, o conforto e a leveza dos materiais são fundamentais na construção dos figurinos e da cenografia. “Os fatos têm de ser sempre confortáveis. E os arcos têm de ser o mais leve possível”, refere. Concebidos com materiais leves como o esferovite, tecidos, plásticos e cartão, de forma a equilibrar o impacto visual e a funcionalidade durante a exibição.

Para 2026, a Marcha da Graça aposta ainda num reforço da componente visual. “Do ano passado para este ano, vai-se notar muito mais brilho”, antecipa Bruno Baleiras, sublinhando uma evolução que acompanha a energia festiva e a identidade do bairro.

A Graça tem uma longa ligação às Marchas Populares de Lisboa e, em 1935, alcançou pela primeira vez a vitória no concurso, um marco que integra a memória coletiva do bairro e que continua a ser referência na sua identidade.

Organização: Clube Desportivo da Graça

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