Dos Bastidores à Avenida
Marcha da Ajuda
Do Palácio para a Avenida, as modas passam, Lisboa fica
Figurinista: Carlos Teixeira
O ex-líbris da Ajuda é o seu Palácio. E a Marcha quis honrar esse legado no figurino deste ano. Carlos Teixeira é o responsável pelo imaginário que procura, por um lado, evidenciar “a riqueza do palácio nos tempos contemporâneos”, e por outro valorizar o ato popular que são as marchas, num local como a Avenida da Liberdade “onde estão as marcas de roupa, a presença dos desfiles”. É o representar das modas que ficam, ao longo dos anos e é o que pretendem deixar para quem vier a seguir.
O tema levou os responsáveis da Marcha da Ajuda a uma viagem exploratória pelas salas e história do Palácio da Ajuda, antes de avançarem para a criação. Quiseram romper com o passado. Inspiraram-se nos vitrais, nos azulejos, na realeza, no ouro e nas cores de Lisboa. Nasceram figurinos nos quais se destacam os azuis e os dourados, com breves notas de branco e preto.
Com um impacto visual muito forte, o figurino feminino tem ao centro um coração que “representa o amor pelo bairro, o amor pelas marchas”, enquanto que para o figurino masculino foi criado um brasão de identidade que significa “o orgulho e a presença do bairro”.
Os homens vestem um calção azul, com aplicação de fita que aperta na perna, meia branca alta e sapatos nos quais se destaca o veludo, pormenores a lembrar a época palaciana. No figurino feminino, o tule branco com purpurinas aplicadas serve para dar mais brilho e dinâmica ao fato, acompanha o brilho do azul e “dá uma graciosidade maior às peças”. O movimento de rotação da saia foi pensado para trazer ainda mais dinâmica ao figurino e reforçar a silhueta feminina. A incidência da luz será um fator importante para o comportamento dos fatos, pensados para um espaço como é a Avenida da Liberdade, onde estas peças vão brilhar mais. Nos fatos há um outro pormenor que quer chamar a atenção: as mangas abalonadas, com uma volumetria maior do que a que seria de esperar, “quase provocatória, de carregar nos ombros a marcha”. Esta é uma peça de abertura e de afirmação no orgulho, “um pouco à ideia do Ronaldo que afirma e que está”. É a afirmação da Ajuda que vem para deixar marca.
Havia uma tradição nesta marcha que este ano foi quebrada: os músicos vestiam-se de Santo António. Pela forma como todos os pormenores foram preparados, “não faria sentido” para Carlos Teixeira que, com o tema a representar, “um elemento não ligasse ao outro”. E a tradição deixou de ser o que era.
“Era importante que o conjunto transmitisse o mesmo pensamento, que tenha uma ideia conceptual para todo o conjunto e não fragmentos”, afirma Carlos que, para além de figurinista, é também o cenógrafo da Marcha da Ajuda.
Há detalhes coreográficos que foram também preparados no sentido de criar alguns movimentos e elementos de época palaciana, incorporando, ao mesmo tempo, elementos contemporâneos.
A equipa que trabalhou com Carlos os cerca de 70 figurinos que vão desfilar na Avenida é composta por três costureiras.
Os marchantes estão contentes com o resultado final: “sentem-se bem vestidos, bem apresentados”. Vê-se na forma como estão nos ensaios e vê-se na forma como a freguesia está a abraçar o projeto e esta “nova energia da marcha”.
Organização: Academia Recreativa da Ajuda





