Dos Bastidores à Avenida
Marcha de Carnide
Santo António Superstar
Figurinista: Paulo Julião
A Marcha de Carnide apresenta-se com um conceito ousado: “Santo António Superstar”.
Paulo Julião além de figurinista é o responsável pela direção artística e quer criar um verdadeiro espetáculo musical em plena Avenida.
“Fazer a direção artística é levantar a marcha toda”, explica. E isso significa pensar cada detalhe: do tema à música, da cenografia ao figurino.
A ideia é reinventar o santo mais popular de Lisboa à luz de uma linguagem contemporânea, inspirada no universo da música e das grandes produções de espetáculo. “Vamos fazer um grande musical”, resume o diretor artístico.
As mulheres assumem-se como verdadeiras divas pop e a própria estrutura da marcha é pensada como um espetáculo coreografado, vibrante e altamente performativo.
Há ainda espaço para a homenagem: a madrinha e o padrinho surgem inspirados em Madonna e Elvis, enquanto músicos e aguadeiros evocam ícones como Freddie Mercury e Michael Jackson, recriando um imaginário transversal a várias gerações.
“Sou dos poucos figurinistas que corta todo o trabalho e faz todos os moldes”, afirma Paulo Julião. Cada peça passa pelas suas mãos, desde a conceção inicial até à execução. Um método que garante controlo total sobre o resultado final, mas que exige também uma dedicação intensa. O núcleo é reduzido: poucas costureiras, todas a trabalhar diretamente com o criador.
Um dos aspetos mais marcantes deste figurino está precisamente na escolha dos materiais. Destaca-se a utilização de pele vinílica, um material rígido, difícil de trabalhar, mas visualmente impactante. A referência ao CD não é inocente: hoje praticamente obsoleto, é recuperado e transformado em elemento cénico: “São 1.500 CDs cortados aos pedacinhos pelos nossos marchantes”.
Mais do que uma escolha estética, é também uma declaração: a necessidade de reutilizar, reinventar e dar novo significado ao que já não tem uso. “Reciclar CDs para fazer figurinos é também um grito”, sublinha o criador, apontando para uma preocupação crescente com a sustentabilidade no universo das marchas.
Embora assuma uma linguagem contemporânea, a proposta de Carnide não abdica da sua raiz popular e procura equilibrar inovação e identidade.
“Queremos trazer algo novo, diferente, mas sem perder o código popular”, explica Paulo Julião.
O resultado é um figurino que quebra padrões: nas formas, nos materiais e nas referências, mas que continua a dialogar com a tradição que sustenta este evento porque em Lisboa, até os santos podem subir ao palco… e brilhar como estrelas.
Organização: Teatro Carnide







