Dos Bastidores à Avenida
Marcha da Madragoa
O Canto da Madragoa
Figurinista: João Medeiros
Há ideias que nascem como imagens difusas e se transformam, pouco a pouco, em cor, brilho e movimento. No caso da Marcha da Madragoa, a inspiração de João Medeiros navegou entre o real e o imaginário e teve como ponto de partida o Canto da Madragoa, numa inspiração que cruza dois universos: por um lado, o das varinas, figuras icónicas da cidade, conhecidas pelos seus pregões, e por outro, o das sereias, símbolo de encanto e mistério.
“A varina era quase uma sereia para quem vinha de fora”, explica o figurinista. É desta associação que nasce o diálogo entre o quotidiano e o imaginário, entre a tradição popular e uma estética meio arrojada, onde pescadores procuram o seu caminho, guiados pelo canto das suas “sereias”.
O resultado é um figurino que traduz o mar, o sonho e a identidade do bairro, mas também a ideia de união, “o canto do nosso povo”, como lhe chama o criador. A construção visual do figurino passa pela transparência e fluidez, a escolha dos materiais foram pensados para acompanhar o corpo e criar leveza, quase como se os marchantes se movessem dentro de água. “Quisemos trazer essa sensação de leveza”, explica.
O figurinista não abdica das referências tradicionais: como o ouro, os colares, as correntes e as pérolas que lembram a estética das varinas, além de apontamentos que reforçam o universo marítimo como conchas e estrelas-do-mar.
Uma das inovações é a introdução de uma “cauda” inspirada na sereia, integrada na parte posterior do figurino, que acrescenta uma dimensão cénica.
Se a figura feminina mergulha na estética da sereia-varina, o marchante masculino surge como um pescador reinterpretado, simultaneamente tradicional e contemporâneo.
Mantêm-se a referências ao universo marítimo, mas com uma abordagem mais estilizada: transparências inéditas, brilho acentuado e detalhes como conchas junto ao peito, numa ligação emocional às “sereias”. E ainda a inclusão de uma “tatuagem”, acrescentam uma camada de modernidade ao figurino.
“A coreografia é muito intensa, muito física”, explica o figurinista, antecipando um espetáculo onde o figurino multiplica o impacto visual.
Entre os momentos mais marcantes, antecipam-se efeitos de luz integrados nos movimentos, transformações cénicas e surpresas que reforçam a narrativa do mar.
Com este figurino, “O Canto da Madragoa” ganha corpo, um corpo feito de brilho, movimento e memória, que leva à Avenida não apenas uma história, mas uma experiência sensorial onde o mar e a cidade se encontram.
Organização: Esperança Atlético Clube




