Dos Bastidores à Avenida
Marcha de Alfama
Os santos devem estar loucos
Figurinista: Nuno Lopes
Em Alfama, o figurinista e cenógrafo Nuno Lopes parte do tema “Os santos devem estar loucos” para construir uma imagem ligada à Sé de Lisboa, aos Santos Populares e ao colorido dos vitrais. Nascido e criado no bairro, e ligado à marcha como figurinista desde 2017, assume esta criação como uma forma de representar a identidade de Alfama: “É sempre um orgulho representar o bairro.”
A proposta visual da Marcha de Alfama procura unir tradição e modernidade sem perder a linguagem própria das marchas populares. Nos figurinos femininos, os vitrais da Sé surgem estilizados através da cor, do brilho e da impressão em lantejoulas; nos masculinos, o dourado evoca a luz de Lisboa e o trabalho dos douradores.
“O conceito de tradição tem que se manter, mas a inovação também tem que lá estar”, afirma Nuno Lopes, para quem o desafio passa por criar uma imagem atual que continue reconhecível como marcha de Lisboa.
A confeção dos figurinos passa pelo ateliê de Aldina Jesus, onde o trabalho para as marchas avança em pleno a partir de janeiro, com uma equipa interna e o apoio de ateliês externos. Na Marcha de Alfama, a mestra de guarda-roupa trabalha materiais que dão estrutura, volume e brilho às peças, entre tule, crina, lentejoulas e renda, sem perder o rigor do acabamento. “Nós não nos descuidamos do interior. A nossa peça está bonita por dentro como está por fora”, afirma Aldina Jesus, sublinhando que um fato bem concluído também dá segurança aos marchantes no momento de dançar.
Do desenho à prova, da costura à coreografia, a Marcha de Alfama 2026 prepara uma imagem onde a Sé, os vitrais e a luz de Lisboa ganham corpo nos marchantes. Para Aldina Jesus, esse trabalho exige tempo, disponibilidade e compromisso: “Há falta de costureiras, há falta de profissionais que gostem e que saibam trabalhar e que partilhem desta paixão de querer ter as marchas prontas a qualquer custo.”
Quando chegar à Avenida da Liberdade, Alfama levará consigo meses de criação e confeção, numa marcha que afirma a tradição do bairro através da cor, do brilho e do trabalho feito à mão.
Organização: Centro Cultural Dr. Magalhães Lima