Dos Bastidores à Avenida
Marcha de Alcântara
In Lisbon’s heart, Europe’s coda – Alcântara está sempre na moda
Figurinista: Renato Godinho
Alcântara diz “presente” nas Marchas de Lisboa desde a 1.ª edição, em 1932. A evolução que as marchas populares tiveram desde então é a inspiração para o tema deste ano: In Lisbon’s heart, Europe’s coda – Alcântara está sempre na moda. A tradição e a modernidade estão de mãos dadas e são a imagem que a Marcha de Alcântara quer fazer desfilar na Avenida da Liberdade. “Para querermos evoluir, temos de saber manter as nossas raízes”, confessou-nos David Ferreira, da Comissão Organizadora da Marcha, que é também marchante e letrista. Alcântara prepara-se para defender o título de bicampeã em 2026.
O figurino é da autoria de Renato Godinho que já desempenha esta tarefa na Marcha há vários anos. Foi dele a ideia de preparar não um, mas dois figurinos que vão trazer o elemento surpresa à Avenida.
“O Renato teve o cuidado de conseguir colocar nos figurinos toda a linguagem que nós queríamos retratar tanto nas letras, como no próprio tema”.
A evolução da coreografia e da música, revela um outro lado da marcha.
Em primeiro, os marchantes surgem com um figurino que retrata os trajes minhotos e os lenços dos namorados, numa abordagem contemporânea. O fato é multicor, composto por cores primárias, principalmente o amarelo, o laranja, o vermelho, o preto e o branco, e feito de espuma, impresso na própria esponja, para trazer a palco a ideia de boneco. Não tem aplicações, é antes uma imagem, como se fosse uma tela. Para trocar os figurinos, o fato que é uma peça única é “rasgado”, com recurso a fecho de velcro, e toda a Marcha muda ao seu ritmo.
Mais tarde, revela-se a faceta “mais futurista, mais dos dias de hoje” da Marcha de Alcântara, num figurino que é azul para as mulheres e rosa para os homens.
“Isto acaba por ser uma crítica à sociedade. As pessoas associam muito o rosa às meninas e o azul aos meninos. Nós não. Alcântara está sempre na moda”, explica David.
As cores são mais fortes, o brilho destaca-se e as aplicações são muitas, especialmente no figurino feminino. Algumas delas são feitas em espuma enrolada em tecido para dar textura ao figurino. Outra das aplicações é o Coração de Viana que as mulheres trazem ao peito e os homens carregam às costas.
A originalidade é a palavra de ordem para a Marcha de Alcântara. “Todos os anos, nós tentamos sempre fazer algo diferente daquilo que se tem visto nas marchas populares, sem esquecer a tradição, mas tentando mantê-la seja a nível de materiais usados nos figurinos, seja em termos de música”. O objetivo é não deixar que a tradição fique estagnada e que ela evolua consoante a sociedade.
Os marchantes não podiam estar mais felizes com o resultado: “os marchantes adoraram porque estão mais uns figurinos à moda de Alcântara e é isso que nós queremos também passar. Queremos ser Alcântara”.
Organização: Sociedade Filarmónica Alunos Esperança