Dos Bastidores à Avenida
Marcha de Marvila
Marvila à luz das velas
Figurinista: Paulo Miranda
Na Marcha de Marvila, o figurinista Paulo Miranda e a costureira e mestra de guarda-roupa Aldina Jesus mostram como uma ideia passa do papel para o corpo dos marchantes, num processo em que criatividade, técnica e trabalho coletivo se encontram antes de chegar à Avenida.
Em Marvila, o figurino parte da ideia de uma cidade antiga, iluminada por velas, marcada por palacetes, jardins secretos, túneis, espelhos, castiçais, riqueza e mistério. O tema “Marvila à luz das velas” é pensado como um baile que ganha luz a certa altura da noite, recuperando uma atmosfera de história, segredo e movimento. É esse universo que Paulo Miranda transporta para o fato, através de pormenores dourados, elementos espelhados, vermelho, verde e uma estética pensada para ganhar luz e presença em desfile. Mais do que vestir a marcha, o figurino constrói uma narrativa visual e dá expressão ao tema escolhido para a Marcha de Marvila.
Figurinista desde 2009, Paulo Miranda assume o desenho e a idealização do fato, mas sublinha que o resultado nasce de um trabalho conjunto. “O desenho e a idealização são minhas”, afirma. O processo é, descreve, “um estudo em conjunto”, em que cada escolha dos tecidos às aplicações, das fitas de lantejoulas aos elementos de luz, aproxima o figurino da imagem idealizada para Marvila. O objetivo é claro: criar peças que valorizem os marchantes e os façam sentir-se “elegantes e felizes”.
Aldina Jesus traz ao processo a experiência de quem conhece o trabalho de guarda-roupa do princípio ao fim. Há nove anos ligada à confeção de marchas, regressa a Marvila “com muito gosto” e destaca a importância da proximidade entre figurinista e ateliê. Como mestra de guarda-roupa, coordena o trabalho, faz modelagem, corte, provas, acabamentos e, quando necessário, também confeção. “Uma mestra de guarda-roupa é quem coordena o trabalho de um ateliê”, explica. “É alguém que consegue fazer o processo desde o início até ao fim.”
O fato feminino, refere Aldina Jesus, tem sido particularmente trabalhoso, com destaque para os ombros, a cintura, o corpete, as saias volumosas e os componentes dourados que reforçam a riqueza visual do figurino. A preparação começa muito antes das Festas de Lisboa. O trabalho pode arrancar em novembro, dezembro ou janeiro, com a produção dos elementos que ainda não dependem das medidas dos marchantes, antes da modelagem personalizada, das provas e do fitting final.
Quando os figurinos chegam ao pavilhão e, depois, à Avenida da Liberdade, precisam da coreografia, da música e da garra dos marchantes para ganhar vida. É nesse momento que o trabalho dos bastidores se revela ao público e passa a fazer parte da história da Marcha de Marvila.



